Tame Impala leva público do Circo Voador em viagem alucinante

Fotos de Carolina Vianna exclusivas para o Aos Cubos.
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Alguns adjetivos aparecem muito rapidamente quando se tenta descrever o Tame Impala, a maioria deles relacionados ao tom psicodélico setentista que rodeia a banda. Mas a banda australiana é muito mais do que isso, e ao vivo então, passa longe de qualquer um que possa acusá-los de “datados” ou de simplesmente copiarem muito bem um estilo clássico. Kevin Parker, vocalista guitarrista e cérebro da banda, levou um Circo Voador lotado para uma viagem celebratória de música, cores e luzes. E todo mundo entrou nessa viagem, mesmo aqueles que não tinham consumido nenhum psicotrópico.

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A proximidade do público com a banda, uma das melhores características sobre o Circo Voador, fez com que aquela bolha parecesse um pedaço à parte do universo e a qualidade musical da apresentação aliada a um público ensandecido deram fruto a alguns momentos inesquecíveis. Com repertório bem dividido entre seus dois discos e EPs mas tendo como protagonistas os hits do álbum mais recente, “Lonerism”, o show se dividiu em três momentos muito específicos.

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A primeira metade, um crescendo com músicas e execuções mais diretas – entre elas a contagiante “Why won’t they talk to me” e “Solitude is Bliss” – parecia servir pra que a banda mostrasse a que veio. A segunda metade começou com a sequência alucinante “Elephant”, “Be Above It” e “Oscilly” uma peça quase toda instrumental desenvolvida em cima da batida hipnótica de “Be Above It”.

20141126_TameImpala_021“Elephant” foi um show à parte e valeu todo o ingresso. O público respondeu a altura e aplaudiu e urrou pela música de um jeito quase assustador depois que ela acabou. Durante a música a insanidade era tão iminente que teve até gente subindo no palco. Surpreso, Kevin Parker disse “Wow, I’ve never seen it like this before”. Fica a dúvida se o “it” mencionado por ele era o público brasileiro ou a comemoração após a música. No meu caso eu nunca tinha visto nada parecido com aquela comemoração. Foi de arrepiar.

Depois dessa pancada o show ficou bem mais “viajado” e as execuções das músicas – como “Mind Mischief” se permitiram a longos riffs e evoluções que apesar de ótimos, às vezes deixavam a apresentação um pouco dispersa.

Após encerrar com “Nothing that has happened so far has been anything we could control” (pois é) o Tame Impala voltou ao palco para a terceira parte, um bis feito pra deixar todo mundo com saudades antes mesmo do show acabar. Kevin ganhou de presente de alguém do público uma tiara brilhante que colocou com gosto e afirmou “I really feel like a princess” seguido de um coro de “Princess, Princess” vindo do público.

No bis, o Tame Impala fechou os trabalhos com um ótimo solo de bateria, “Feels Like We Only Go Backwards” gritada a plenos pulmões pelo público e encerrou tudo com a poderosa “Apocalypse Dreams” que resume bem o estilo da banda: melodicamente impecável, aliando bem um tom contemporâneo com as óbvias influências psicodélicas, e com uma melancolia que só faz ganhar a inquestionável alegria de tantas texturas e viagens.

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