Categoria: música | review | shows | Atualizado por: André Aloi
4 mai 2012
Fotos exclusivas, cedidas por Ana Laura Ferraz.
O Ting Tings, duo britânico formado por Jules De Martino (bateria) e Katie White (guitarra e vocal), fez um show morno de pouco mais de uma hora no Cine Joia, em São Paulo, nesta terça-feira do Trabalho (1º). Previsto para começar à s 22h, a dupla só subiu ao palco por volta das 23h15. Nos bastidores, a informação que circulava era de que a banda estaria dormindo por causa do cansaço da viagem e da exaustiva turnê latina. Mas, quando entraram em cena,  fizeram de tudo para ganhar a plateia: tentaram falar português nos intervalos, improvisaram com os sintetizadores, e teve ainda explosão multicolorida em luzes estrobo.  As múscas mais aclamadas foram hits no primeiro CD (“We Started Nothing”, 2008), e não do recém-lançado “Sounds From Nowheresville”. Decepcionaram ao deixar de fora “Be The One” do primeiro.
Por volta de 20 minutos antes de o show começar, os roadies testavam os instrumentos: prova de que a banda não teve tempo de passar o som. Ouvi do Luis Gustavo uma expressão que sintetizaria a apresentação: sabe quando você tem um pão e pouca manteiga para passar? Então… Eles tinham poucos bons sons, mas muito tempo. Podiam ter feito menos de uma hora de show, sem firulas, e com um repertório aclamado! Incluindo “Be The One”, que a plateia, tÃmida, pediu no gargarejo. E para surpresa de muitos, a música mais cantarolada e berrada da noite não foi o carro-chefe da banda “That’s Not My Name”, e sim “Shut Up And Let Me Go” antes do bis.
Às 23h16, surgia Katie com um microshort, blusinha e boné, pedindo silêncio: “Shhhh”, fazia ela apontando para a plateia, como o nome da primeira música sugere: “Silence”. Dali em diante, ela fazia de tudo para tentar interagir com a plateia. Pedia palmas, falava o nome das músicas, mas segundo relatos de fãs, o show seguiu o mesmo ritmo quadrado, ensaiado, que a apresentação do dia anterior, no Rio. A impressão era de que,  se algo saÃsse do lugar, a banda surtaria. Em “Great DJ”, o Joia se transformou em pista de dança, e com a música aclamada, estenderam por duas vezes mais o refrão.

Na terceira, “Hang It Up”, ela anunciou a música falando que todos têm alguém que detestam – como o refrão indica. No meio da música, desceu para uma espécie de fosso, onde pegou a mão de fãs, recebeu presentes… Antes de “Give it Back”, de volta ao centro do palco, disparou em um português carregado: “Olá, nós somos The Ting Tings, e estamos muito felizes de voltar a São Paulo. Me desculpem, meu português é uma merda, ao invés de falar porque não vamos dançar?”. Seguiram com uma versão mais desconsertada, crua, e porquê não dizer ‘chata’ de “Guggeinheim”, e o atual single “Hit Me Down Sonny”. Depois dessa, Jules gritou: “Não conseguimos ouvir vocês”, emendando “We Walk” e “Fruit Machine”.

A ‘última música’  ”Hands” foi explicada por Kate como uma composição de quem “batalha duro” (para conseguir as coisas). Por volta de 00h10, sem a pressão da plateia em fazê-los voltar, apenas com algumas palmas ‘mornas’, saÃram e emendaram  ”Keep Up Your Head” para o não tão grand finale  o hino “That’s Not My Name”. ”Valeu”, respondeu Katie à 00h24, encerrando ali o show e a passagem pelo  Brasil.
Breve encontro
Depois do show, encontrei com Katie e Jules ao saÃrem do Cine Joia. Apressados pela equipe técnica, tive a oportunidade apenas de perguntar o por quê de deixarem “Be The One” de fora do setlist. Ela disse que não sabia que era uma música aclamada pelos brasileiros, teriam ensaiado, apesar de estar “muito cansados” por causa da turnê latina. “Awww, quem sabe na próxima vez que viermos?”, disparou ela. Também questionei o por quê de “Day to Day” estar fora do repertório, e ela disse que é uma canção que destoa de todo o repertório dançante desta turnê. Eles devem retrabalhá-la para tentar incluir no set. E eles querem voltar. Com uma expressão animada, ao encontrar uma fã na saÃda do Joia, Jules mostrou uma pulseira do Nosso Senhor do Bonfim a uma fã, que o havia presenteado.
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andré aloi
jornalista, vive de internet, tv-lover, viciado em 'lie to me', ama cultura pop e fã de Britney desde 1999. Futuro ganhador da mega-sena: torrará seus milhões em camisetas, livros e música.
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luis coutinho
mineiro se passando por paulistano, descobre bandas compulsivamente e troca a música do despertador todo dia. Verdadeira paixão é a engenharia, mas estuda audiovisual para agradar os pais.