Pela sétima vez no Brasil, Nightwish faz turnê concorrida

Nightwish

Na última vez que os finlandeses do Nightwish vieram ao Brasil em 2012, a holandesa Floor Jansen assumia os vocais da banda numa manobra às pressas depois da demissão da vocalista anterior Anette Olzon. Agora em 2015, o Nightwish volta ao país com um disco que tem Floor como estrela consolidada tanto na tarefa de preencher com competência o posto de vocalista do grupo, quanto no posto de adoração dos fãs.

A turnê do oitavo álbum de estúdio do Nightwish, “Endless Forms Most Beautiful”, passa por 4 cidades brasileiras (Recife, São Paulo, Rio e Porto Alegre) incluindo uma importante apresentação num Rock in Rio mais do que esgotado, acompanhando bandas do calibre de Faith No More, Mastodon e Slipknot.

O show em São Paulo acontece dia 26/09, sábado, no HSBC Brasil (antigo Credicard Hall), e o único setor com ingressos ainda disponíveis é a pista comum, já no segundo lote. Quem quer acompanhar o crescimento de Floor nessa banda que soube como se manter grandiosa aumentando cada vez mais seu número de fãs, não pode perder o show.

Para ingressos e informações sobre o show, clique aqui.

 

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Inge Grognard, da MAC, assina desfile que questiona os contornos

Até 17 de setembro acontece a Semana de Moda de Nova York e uma das coisas que está chamando mais atenção até o momento é o desfile da Hood by Air e não pelas roupas sem gênero e sim pela beleza do desfile.

Nesse momento que blogueiras e youtubers de beleza nascem a cada segundo, a maquiadora da M.A.C., Inge Grognard, contou para o “The Cult” que na reunião que ela teve com o designer da marca, Shayne Oliver, ele explicou a inspiração do desfile que são os tutoriais de beleza e a auto-modificação. Inge ressalta “A questão é: Por que pessoas jovens -que já são praticamente perfeitas- acham que precisam dessa coisa pra se tornar ainda mais bonitas?”.

Foto: Fashionising
Foto: Fashionising

Se vocês reparem há ban-aids nas unhas das modelos e a ideia disso tambem é ressaltar a preocupação em excesso das meninas nos dias de hoje, a manicure-chefe Mary Soul explicou que é como se a garota tivesse machucado um dedo e jamais aceitaria sair com um ban-aid único em um dedo então ela decide colocar em todos para parecer diferente e algo da moda.

Foto: Agencia Fotosite
Foto: Agencia Fotosite
Foto: Agencia Fotosite
Foto: Agencia Fotosite

Nos tempos de hoje, com a preocupação em excesso da beleza, quem menos usa sai ganhando. Essa onda forte de contorno e marcações, alguns maquiadores pregam, com certeza,  que o básico e o make mais natural é mais bonito e saudável. Dá pra ver que o desfile é uma critica a esse “poder absoluto” do contorno, não é necessário sempre e a maquiadora ainda brinca “É uma técnica utilizada no teatro”.

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Iron & Wine atende pedidos de fãs em show leve mas emocionante

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Fotos de Ana Laura Leardini exclusivas para o Aos Cubos.

Samuel Beam, mais conhecido pelo seu stage name Iron & Wine, é um dos nomes mais icônicos do folk dos anos 2000. Aparecendo absolutamente sem pretensão com um disco gravado por conta própria em 2002 que alcançou status cult, seguiu uma carreira elogiadíssima, e até esbarrou no mainstream quando “Flightless Bird, American Mouth” embalou o romance vampiresco do filme “Crepúsculo”.

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Em "Narcos", Wagner Moura diz não se importar com críticas: "não leio"

Wagner Moura, aos 39 anos, interpreta o traficante Juan Pablo Escobar (1949 – 1993) na série “Narcos”, original da Netflix, que estreia nesta sexta-feira (28.08). Dirigida por Zé Padilha (“Tropa de Elite”, “Robocob” etc.), a produção conta a história do narcotráfico sob a perspectiva de Steve Murphy (Boyd Holbrook), um dos policiais da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos, no fim da década de 80, início dos 90 – período que a droga se infiltrou nos EUA, vinda da Colombia num esquema organizado pelo traficante e seus asseclas.A gente conversou com Moura por telefone, que disse já ter tomado coragem de falar sobre o personagem, inclusive para os colombianos. “Acabei de falar com a rádio de Bogotá, em espanhol e tudo”, brincou.

O receio tem a ver com o fato de um estrangeiro interpretar alguém tão popular e icônico para aquele país. “Como vem um brasileiro aqui (interpretar o Escobar)? Estou preparado para essas citações, mas não vi muito ainda. E também não leio p*rra nenhuma. Não vou saber é nunca”.Em todo personagem que faz, diz ele, sua obrigação é apresentar o indivíduo como pessoa, deixando de lado o juízo de valor. “É óbvio que ele era mau. Mas tem gente, até hoje, que acha que ele era bom. É uma questão de perspectiva. Quando fiz ‘Carandiru’, ficava pensando: ‘pô, os bandidos e tal’. Aí fui lá dentro e vi: ‘é um bocado de ser humano, que tem filho, família, tristeza, alegria. Osama Bin Laden, por exemplo: a família dele gostava dele. Você não pode entrar num personagem, pensando nisso”, dispara.

Ele compara o fato de ser escalado para viver Escobar com a vez que aceitou fazer um show com a Legião Urbana (em uma homenagem promovida pela MTV, em 2012). “É uma coisa que você não faz esperando que todo mundo vai gostar”. Ou também quando atuou no filme “Trash: a esperança vem do lixo”, uma produção americana que fala sobre a pobreza no Brasil, em que a crítica brasileira foi dura.Antes mesmo de começarem as gravações, Moura foi morar em Medellín, na Colômbia, por conta própria. “Começamos a gravar em setembro (2014), e seguimos até abril deste ano. Cheguei lá em fevereiro. Precisava fazer isso porque não falava espanhol. Tive que me virar”, explica, comentando que se matriculou em um curso de espanhol, mas não contou a ninguém porque estava lá. “Começaram a me reconhecer, foram na internet e viram. Mas aí me ajudaram”.

Ao se preparar, além de engordar 10 kg, leu uma extensa bibliografia sobre a vida do traficante e visitou diferentes lugares em que viveu, inclusive o edifício Mônaco, onde a família dele morava e o Cartel de Cali jogou uma bomba. “Não é um lugar em que você pode entrar. É meio fantasma, horrível lá dentro. Mas, ao mesmo tempo, quando você está estudando sobre o Pablo, é incrível. O segurnaça que estava lá na frente, me olhou e disse: ‘eu não acredito que você tá aqui. Sou policial por causa de você’. Entrei lá e ele fez um tour contigo”, resume. Mas não contou para ele que faria o papel porque, à época, ainda não tinha coragem.

Depois da estreia de “Narcos”, Wagner diz que gostaria de se dedicar a algum projeto que mesclasse atuação e dança no futuro. Quando não está em cena, se reúne com sua banda de 23 anos, chamada Sua Mãe. Ou dedica-se aos três filhos (Bem, de 9 anos, Salvador, de 5, e José, de 3), de seu casamento de quase 15 anos com a fotógrafa Sandra Delgado, os quais ele diz não ter acesso à sua obra porque ainda não entendem. Agora, está produzindo um filme que vai dirigir no ano que vem, sobre a vida de Carlos Marighella (1911 – 1969, político e guerrilheiro, um dos principais combatentes de ditadura militar, de 1964). Na TV, faria um projeto de Luis Fernando Carvalho, na Globo. Acabou não rolando.

Wagner vive a dicotomia de estrear um papel em um serviço de streaming online, mas ele mesmo não é tão conectado. “Nunca quis (fazer parte de uma rede social). Estou cada vez mais querendo desacelerar meu passo, andar devagar, conversar com as pessoas no mundo verdadeiro. Não sei como as pessoas acham tempo pra ter tanta mídia social. Além de ser opção, há uma dificuldade tecnológica. Quando entro na internet, vejo e-mails e notícias sobre o Vitória (time do coração)”.

Ele estaria numa onda até mesmo de largar o celular: “acho que vai ser difícil, até porque as pessoas não vão me achar. Vai ser um inferno. Mas meu desejo era esse. Se pudesse, largava”.

[ALERTA DE SPOILERS]

COMPARAÇÕES
O sonho de Escobar, como é contado na trama, era virar presidente. Mas não é esse caminho que o baiano quer seguir. “Gosto muito de política, mas se entrasse pra política partidária, meu casamento acabava. Eu prefiro o casamento. Eu acho que sou uma pessoa que se posiciona politicamente sempre que posso. É mais por aí”, comenta. Na eleição de 2014, ele apoiou a então candidata Marina Silva à presidência da República.

Logo na primeira cena do episódio de número 1 dessa temporada de estreia, Escobar demonstra ter uma memória invejável, relatando nomes e histórias. Mas não é bem assim que funciona a de Moura. Ele brinca: “minha memória antiga, de quando era criança, de infância, essas coisas, é muito boa. Me lembro de muita que aconteceu quanto era pequeno, mas a memória do que aconteceu ontem, é péssima”, finaliza.

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"A gente está disponível o tempo inteiro", reclama Tiago Iorc em CD

A música de Tiago Iorc é ubíqua na TV Globo: já foi trilha de diferentes novelas, desde “Malhação” até a mais recente das seis, “Sete Vidas”, em que fez uma versão repaginada de “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong. Mas outro programa da vênus platinada tem a ver com a inspiração do novo disco: a geração que se expõe demais e faz um overshare da vida, o Big Brother Brasil (no ar desde 2002).

Com esse gancho – só trocou a TV pelas redes sociais – , o cantor brasiliense (que hoje mora no Rio de Janeiro) propõe uma análise pessoal da geração “Troco Likes” (SLAP) neste quarto CD de inéditas – com todas as faixas em português, exceto pelo bônus track. Apesar de ser “médio conectado”, ele está na internet por causa de trabalho e em contato com quem interessa.

“Comecei a sentir que essa de estar o tempo inteiro disponível me desgasta. Gosto da proximidade que essa realidade internética nos proporciona, mas não gosto de ir demais”, explica, comentando que há uma carência do ser humano em significar algo para o próximo, fazer parte de um convívio em que o que se faz é interessante.

Tiago Iorc 2014

O nome do álbum começou de uma brincadeira com seu empresário, Felipe Simas, e essa carência manifestada nas redes sociais foi dando forma ao disco.

Na capa, o artista dá um sorriso forçado, na arte criada por Nestor Canavarro. “No avatar, as pessoas querem mostrar, não necessariamente o que estão sentindo. Tenho amigos ou pessoas que conheci há pouco – na superficialidade – que, pelas redes sociais, imaginava uma coisa. A pessoa estava o tempo inteiro viajando, com pessoas interessantes. Quando conheci de fato, não era nada daquilo: era tímida e pouco interessada. Existe essa dicotomia com a vida real”.

Para Tiago, a curtida é quase que uma conquista, um voto de apoio em torno de alguma coisa. “Eu apoio essa foto, ideia, pessoa ou a motivação por trás daquilo. Mas se tornou muito gratuito, funciona como um comércio de significado para as pessoas”, reclama.

Tiago Iorc divulgação

Seu único grupo no Whatsapp é o da família, que raramente vê. “Sou mais inativo. Aí, quando vejo, tem mais de 200 mensagens, acabo não lendo. Prefiro ligar para os meus irmãos, minha mãe, para saber das novidades”, defende-se. Entre os assuntos desse grupo, coisas do cotidiano. “É muito legal para quem só tem essa alternativa, mas estou em turnê, então tem toda essa coisa de passagem de som, ir pra TV. Gosto de ter um momento em que consiga organizar a cabeça”.

Sua relação com o violão neste álbum fica mais evidente. Todas as canções nasceram de sua relação com o instrumento. “No processo, houve cuidado de nada abafar isso, que ele fosse o centro e as coisas viessem para dar suporte”, avalia. E ele quis brindar o público brasileiro, cantando em seu idioma nativo. “Antes, achava que tinha preferência por compor em inglês, mas percebo que era mais prática”.

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O romantismo sobre as coisas, por vezes pessoas, são um reflexo do que ele viveu no período anterior à composição e gravação do disco. Mas não gosta de se encaixar em um rótulo: garoto apaixonado ou “bad boy”. “Depende da leitura das pessoas. Posso manifestar coisas que são do meu interesse ou não”, despista.

Mas a materialização do amor está em outras faixas, como “Coisa Linda”, em que é nítida a participação da atriz Isabelle Drummond como protagonista da vida amorosa do rapaz de 29 anos. Ela tem 21. “Tem coisas que me inspiro a partir da minha relação com ela, mas nuances de romance podem ser simplesmente observações sobre esse assunto”, opina.

“A gente divide muito, tanto ela no trabalho dela, quando eu no meu. Somos muito parceiros, de gostar e acompanhar o que o outro está fazendo. Tem coisas que trabalho um pouco mais e apresento, mais formadinho”, explica. Por enquanto, ele não acredita que um dia essa proximidade possa fazer os papéis se interterem: “acho que ela não tem vontade de cantar profissionalmente, assim como não é, em princípio do meu interesse virar ator, embora eu acabe fazendo isso nos meus videoclipes”.

Por falar em dividir tudo, eles só não dividem o mesmo teto. “A gente se gosta muito, mas também gosta muito do tempo da vida de cada um. Daqui a pouco, quando sentir que é o momento de dar um up. Por enquanto, estamos curtindo o namoro”, pontua.

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LANÇAMENTO
Tiago Iorc autografa seu recém lançado disco “Troco Likes” na segunda-feira (31.08) da próxima semana, na livraria Cultura, do Conjunto Nacional. Até dezembro, vai somar mais de 50 shows em todo o País. O encerramento da turnê deve ocorrer na capital paulista, mas as datas ainda não foram divulgadas.

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"Sem medo de ser triste. A tristeza não é feia", afirma Mariana Aydar

Mariana Aydar está de CD novo. Mas não é um disco que ela encare como de carreira, autoral, apesar de ter faixas inéditas. “Pedaço duma Asa” (Brisa/Pommelo), de universo próprio, era um projeto especial, chamado “Palavras Cruzadas” e organizado por Marcio Debellian, em que ela interpretava as músicas de Nuno Ramos. E foi daí que resultou o processo inverso: começou nos palcos e só depois maturou no estúdio.

A densidade poética de Ramos é sentida nesse álbum em que se fala muito de sol, mas não tem nada de ensolarado (sinônimo de alegria). É uma das características do trabalho, segundo a cantora. “Não temos medo de ser tristes”, diz, fazendo contra-ponto à crença popular. “Hoje, no Brasil, está instaurado de que as coisas precisam ser felizes, precisam dançar… Nas músicas do Nuno, a poética não é ensolarada. Mas a tristeza não é feia”.

A cantora paulistana crê na beleza da tristeza. “Acho que faz você ficar humilde, é um passo muito importante até para a felicidade acontecer. É um contraste, como aquela música do Lulu Santos: ‘Não existiria som, se não houvesse o silencio’. São emoções que passam… A gente quer ser feliz, não triste. Mas tem que passar por isso, às vezes, pra conquistar a felicidade de novo”.

Foto: Simone Elias
Foto: Simone Elias

Em seu mais recente trabalho solo, “Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo” (2011), Mariana havia dito que foi um parto conceber o trabalho. Hoje, dois anos depois de ter tido Brisa, sua filha com Duani (marido e parceiro musical), ela volta a fazer a comparação: “esse parto (do CD) foi o mais normal e humanizado possível. Foi muito tranquilo. Não sei se foi porque eu tive a minha filha, que foi mais punk, mas foi bonito e com muito amor”.

Esse projeto, segundo Mariana, a assaltou como uma paixão e, quando viu, estava com um disco na mão. “Eu, o Duani e o Guilherme Held (guitarrista) começamos linguagem musical ali (em ‘Cavaleiro’), mas tinha mais a explorar. E casava muito bem com as músicas do Nuno. As composições dele têm um DNA de samba. E eu não queria fazer um samba tradicional. Adoro mexer nos alicerces, sem mexer com a alma”, explica.

Foi seu disco mais “gostoso”, diz ela. As faixas com composições de Nuno estavam rolando em seu iPod, faixas de seus dois últimos discos que ficaram de fora. “E eu estava com aquele repertório ali comigo, amando, ouvindo e reouvindo. Já estavam prontas quando fiz o show, e já eram músicas que queria cantar pra sempre”.

Foi gravado em um estúdio em sua casa, em Pinheiros, São Paulo. “Podia gravar a hora que quisesse com Duani, que é meu companheiro e parceiro de música há 10 anos. Houve também um depuramento dessa linguagem que a gente estava criando, com nossa filha ali em cima, foi muito fácil. As letras e arranjos vieram de maneira super fácil, tudo bem tranquilo”, resume.

Com o CD na rua, ela prepara uma turnê que começa em 1º de outubro, em Belo Horizonte (MG). Em 21 de novembro é a vez de São Paulo receber a nova versão das músicas de “Pedaço duma Asa”. Mais um músico se juntará à banda na estrada, mas a cantora ainda está buscando finalizar a produção: “não está sendo tão fácil, como imaginei”.

Foto: Mihay Freire
Foto: Mihay Freire

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NOVO CD AUTORAL
Como antes do processo ela já estava pensando em gravar um disco próprio, os fãs podem esperar novo material para 2016. “Agora vou voltar para esse trilho”, ri. “A maternidade, assim como neste, em que fala muito sobre a mãe, servem de inspiração”, explica, dizendo que Nuno perdeu a dele (2011) e ela virou mãe (2012).

HISTÓRICO
Mariana e Nuno se conhecem desde 2007, mas nem sabia que ele era artista plástico. Nem achava que ele era brasileiro. É dele o samba-fado “Atrás dessa amizade”, do disco “Cão” (2006), de Rômulo Fróes.

A primeira composição dele gravada por ela é “Carcará” para uma do artista, que ficou famosa na Bienal de 2010 por conta da polêmica envolvendo o uso de urubus. Além de Carcará, a instalação era sonorizada com trechos de “Bandeira Branca” e “Acalanto”.

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SP: Da Tropicália à música inédita, Caetano e Gil reverenciam o Brasil

Caetano Veloso e Gilberto Gil são duas figuras importantes para a música brasileira, fundadores do movimento Tropicália lá nos idos de 60. Desde então, dispararam hits que fizeram sucesso nas últimas décadas na MPB. Até hoje, conseguem ser atemporais e pertinentes. A apresentação de quase duas horas, começou por volta das 22h, com quase 40 minutos de atraso – talvez pelo intenso trânsito da capital paulista em dia de chuva e protesto.

Mesclando passado e presente, apresentaram uma faixa inédita no show que abriu a temporada “Dois Amigos, Um Século de História”, nesta quinta (20.08), no Citibank Hall, em São Paulo – depois de uma temporada na Europa. Nos versos da faixa, ainda sem título, conclamaram “as camélias do Quilombo do Leblon”. A letra remete aos tempos da abolição da escravatura, no Rio de Janeiro, sinônimo claro de resistência à época.

OUÇA

Expoentes da Bahia, mostrando em cena sua baianidade nagô, celebraram seus 50 anos de carreira com uma ode aos estados brasileiros. O palco, além dos banquinhos e violões, tinha um varal com as bandeiras de todos os estados penduradas e um pano colorido com figuras geométricas ao fundo (com até uma estrela de David projetada em luz, assim como a bandeira do Brasil).

Estavam tão em casa que, de surpresa, fizeram o bis do bis. Voltaram duas vezes depois de sair do palco. Na primeira, tentaram terminar o show, dançando na frente do público, puxando o refrão: êta, êta, êta… É a lua, é o sol, é a luz de tieta, êta, êta”. Voltaram mais uma vez para mandar beijos e cantar “Leãozinho” e “Three Little Birds”, com todo o refrão cadenciado de Caetano e direito às onomatopeias de Gil.

Nas primeiras palavras trocadas com o público, Caetano brincou: “Bom estar de volta por São Paulo, com garoa e tudo”, brincou. Gil concordou e riu. Eles nem haviam cantado “Sampa” ainda. No repertório, que visitou, entre outras faixa, as conhecidas “Drão”, “Expresso 2222”, “Filhos de Ghandi”, “Domingo no Parque” e “A Luz de Tieta”.

Além de canções próprias, homenagearam João Gilberto (“É Luxo Só”), Simón Díaz (“Tonada de Luna”, em espanhol) e Tony Dallara (“Come Prima”, em italiano). O pé de Caetano, quando não estava firmando o violão, acompanhava o compasso, batendo-o no chão, com as melodias.

Em cena, nenhum sobressai ao outro. Os dois gigantes conseguem manter sóbrio o diálogo e a parceria, mesmo sendo duas lendas da música nacional. Longe de ter briga de ego. Sem rixas, eles são Paul McCartney e Mick Jagger dos brasileiros, parafraseando a comparação nos jornais lá de fora sobre a turnê. Caetano até que arrisca um passo ou outro, mas nada demais. É só o suingue da Bahia.

Em um dos momentos mais tenebrosos – com luz baixa e batucada no violão sem dedilhar, Gil entoa os versos de “Não Tenho Medo de Morrer”. Mas logo o momento muda porque os dois seguem com fé… até porque á fé não costuma “faiá”. Até domingo, se apresentam no Citibank Hall, na capital paulista, com ingressos esgotados. A apresentação chega ao Rio de Janeiro, nos dias 16 e 17 de outubro, dessa vez no Citibank Hall fluminense.

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“Musical me obriga a estudar e correr atrás do prejuízo”, destaca Miguel Falabella

Miguel Falabella volta para os palcos nesta quinta-feira (20.08), na versão brasileira do musical “Antes Tarde do Que Nunca” (“Nice Work If You Can Get It”), da Broadway. Após muito tempo dirigindo e produzindo, ele retorna aos palcos, e diz que sua vontade é aprender cada vez mais. “Quero ficar igual à Bibi Ferreira. Melhorar, melhorar, melhorar e morrer no palco”. Ele diz isso porque a memorável atriz, aos 93 anos, continua na ativa.

Cena Antes Tarde do que nunca-9Aos 57 anos (completa 58 em outubro), vive um playboy envelhecendo na adaptação que ele mesmo conduziu. “Fazer musical é maravilhoso, me obriga a estudar e me colocar em movimento, correr atrás do prejuízo… a fazer aula de canto desesperadamente, aprender a dançar, a me mexer, me manter magro, que é o mais difícil. O musical me obriga a me manter em forma, vivo, estudando, que é fundamental”, desabafa. “Fiz um acompanhamento com Pedro Lima, de aulas de canto. É muito legal e bom chegar na minha idade e estar estudando alguma coisa e aprendendo, e dizendo: ainda posso aprender mais”.

O ator explica que, ao terminar de gravar o ‘Pé na Cova’ (seriado da TV Globo, que roteiriza e protagoniza), poderia tirar um ano sabático, mas optou pelo aprendizado. “Acho que a gente não faz nada sem disciplina. Eu sou profundamento disciplinado. Perdi 15kg. Falei: não como mais glúten. Adoro fumar, mas não posso. É militar! Ninguém ‘tá’ me obrigando, é um desafio… Aprender as coreografias é complicado para quem não dança. Você tem um elenco de bailarinos profissionais e, se você fizer errado, vai todo mundo ver. É uma exigência todos os dias”, emenda, explicando que é bom sentir frio na barriga outra vez.

Cena Antes Tarde do que nunca-23

Sua maior dificuldade, na tradução, foi encontrar frases musicadas que combinassem com o português, vindas do inglês. “Acho que eu consegui. Agradeço ao meu motorista porque no trajeto da minha casa ao Projac (cerca de uma hora diária), o coitado escutou”, riu. “Ficava do lado dele contando as sílabas nos dedos. Quando voltei de uma viagem, ele me disse: ‘Oh, seu Miguel, estava com uma saudade dos dedinhos”, comentou, gargalhando.

Ex-companheira de “Hairspray” (adaptação assinada por Falabella em 2010), Simone Gutierrez é o par romântico de Falabella após a desistência de Andréa Beltrão e Alessandra Maestrini . “Eu sou um paranoico às avessas. Eu sempre acho que a vida tá aqui para dar certo (…) Tinha que ser uma coisa muito improvável, que as pessoas digam: isso não junta, isso não dá beijo na boca. E, no final, dá um grande beijo e é uma alegria muito grande estar do lado dela”, resume.

A história conta a história de um playboy completamente alienado que conhece uma contrabandista que nunca amou nem nunca fui beijada. “Pela idade, meio social… Aquilo jamais daria certo e dá! Um é o amor do outro. É uma fantasia romântica, embalada pelas inacreditavelmente lindas músicas de George e Ira Gershwin”. A produção foi uma indicação da coreógrafa Fernanda Chamma e é a primeira produção dele com a Time For Fun (T4F).

Miguel Falabella e Simone Gutierrez

DIRIGINDO UM DIRETOR
“É a primeira vez que dirijo um diretor”, brinca José Possi Neto, que assina a montagem. “O Miguel é um homem de uma inquietação. São 360º de percepção o tempo inteiro e o prazer de provocar o outro ator. Quem contracena com ele tem que estar ligado e vivo. Quem dirige ele, também, pra saber assimilar isso e jogar no espetáculo”, reforça.

Possi diz que sua função, enquanto diretor, é criar a melhor moldura para um elenco, situar muito bem um texto, conseguir – através dessa estética – comunicar ao público a mensagem. “Por incrível que pareça, não senti que tivesse carregando o espetáculo nem no primeiro dia. Isso não quer dizer que foi fácil. Tudo é muito trabalhoso e difícil. Tem coisas que dão certo e errado, mas tem um objetivo que se impôs porque houve uma leveza no trabalho”.

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SERVIÇO
Miguel Falabella no musical “Antes Tarde do que Nunca”
De 20 de agosto a 25 de outubro
Teatro Cetip – (Rua dos Coropés, 88 – Pinheiros)
Horários: quintas e sextas, às 21h; sábados, às 17h e 21h; domingos, às 17h.
Duração: 150 minutos em dois atos (com intervalo de 15min).
Ingressos: de R$ 25 (meia-entrada) a R$ 230.
Capacidade: 627 lugares.
Estacionamento terceirizado com manobrista
Classificação Etária: livre. Menores de 12 anos acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

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“Mulher tem que ser vista como ser humano, não bibelô”, diz Ana Cañas

Ana Cañas leva sua MPB feminista com atitude rock ‘n’ roll para o teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. A nova turnê do novo álbum “Tô na Vida” (lançado em 31.07 via slap) desembarca na capital paulista com a participação de Arnaldo Antunes. Acontece depois de uma apresentação prévia e de teste em Curitiba (PR). Às 18h deste domingo (16.08) é pra valer!

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Sobre Emicida, rap, sonhos e mudanças.

Eu não gosto de rap. Assim, sendo sincera ao extremo, o estilo jamais me agradou. Tentei ouvir pequena, mas nem os mais famosos como Gabriel, o Pensador, jamais me empolgaram. Crescida, tentei entender o fascínio causado nos meus amigos pelos Racionais e, mais tarde, Criolo. Mas nada, nenhum deles conseguia sequer tocar na superfície do meu gosto. Apesar de nascida e criada na periferia, e de entender muito bem a realidade de todos aqueles discos, eles não conseguiam me convencer. Era uma música cuja importância e qualidade eu reconhecia, mas o prazer em ouvir, não.

Meu primeiro contato com o trabalho do Emicida veio em 2013, por ocasião do lançamento de seu “O Glorioso retorno de quem nunca esteve aqui”. Na época eu já escrevia sobre música – brasileira, essencialmente – e o álbum estava recebendo uma crítica extremamente positiva por parte de muitos jornalistas cujo trabalho admirava. Decidi enfrentar meu preconceito e ouvir. Não adiantou nada, na terceira música eu desisti e concluí: rap não é pra mim.

De lá pra cá, dois anos e muita água debaixo da ponte depois, Emicida encerrou a turnê de sucesso do seu disco, viajou pra África, se juntou a músicos consagrados. Eu, claro, não sabia nada disso, já que não acompanhava a carreira e o trabalho dele. Até que, numa noite, eu tive um sonho. Sim, caro leitor, um sonho: sonhei que me encontrava com o rapper, dizia que não gostava de rap até então, que havia ouvido seu disco anterior e não havia me tocado, mas que o trabalho novo, ah, o trabalho novo estava incrível, merecia todos os elogios. Acordei achando engraçado, sonho curioso até. Abri o facebook e descobri que ali, naquela data, o seu novo disco estava disponível para audição nas plataformas virtuais. Disco que eu não sabia da existência até então. Ou melhor, sabia: eu descobri no sonho.

Guardei a audição do álbum para um momento cuja minha concentração pertencesse toda a ele. Nada de ouvir no metrô, na rua, em pedaços. Não: achei que a mensagem do cosmos que havia chegado a mim merecia atenção especial, exclusiva, dedicada.

E foi assim que “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa…”(2015) entrou na minha vida. Pela porta da frente, vi a mistura de ritmos, do rap com samba, o flerte com a musica mais pop, as participações especiais, tudo, e concluí que a menina do sonho tinha razão: o disco era realmente incrível.

A viagem de Emicida à África é marca tocante, que perpassa cada canção do álbum, da sofrida e confessional “Mãe”, que abre o disco e remete ao estilo mais primitivo do rap nascido em São Paulo, dos anos 90, à animada “Mufete”, que passeia entre o samba e a música afro, com texturas diversas na melodia. As religiões africanas e seus orixás se entremeiam nas canções, citadas como exemplo de manifestação da opressão branca e como realidade do negro. Nada nas letras é forçado, é imposto como “tema de negro”: a vitalidade das canções vêm da vivência real do rapper, de sua experiência social, humana, racial. “Favela ainda é senzala”, ele canta, em “Boa Esperança”, que ganhou clipe polêmico antes da estreia oficial do disco. E a ideia de que a favela, a senzala, a África-Mãe, o Brasil, filho bastardo pra sua cor e classe, se mostra até na levada quase pop de “Passarinhos”, com participação de Vanessa da Mata e escolhida como primeira música de trabalho.

A respeito de polêmica, Emicida enfrentou uma com a faixa “Trepadeira” de O Glorioso Retorno… Na letra, ele fala de uma mulher faz sexo e diz que “(…) biscate/ Merece era uma surra de espada de São Jorge”. Rechaçado e criticado pelo movimento feminista, ele apresenta agora a faixa “Mandume”, que lembra: “Se os homem é de tirar chapéu, nóiz (mulheres) é de arrancar cabeça”, que ganha participação (entre outras) da rapper Drik Barbosa.

Ainda no que remete às suas raízes, a canção “Chapa” tem uma das letras mais bonitas do disco. Expõe com lirismo a saudade do amigo, a preocupação, traz à tona e ao ouvinte o sentimento de perda, de necessidade, de impossibilidade de ação. Caetano Veloso empresta sua voz à faixa “Baiana”, que revela sensualidade, exaltando as raízes africanas da Bahia, na personagem da mulher baiana cantada pelo músico. Mistura perfeita da busca incessante do disco com a cor local tão forte que Emicida carrega consigo.

Fechando o disco, a faixa “Salve Black” une uma letra forte e carregada de referências pessoais a um ritmo brasileiro, e lembra a famosa frase do músico “A rua é nóiz”.

Eu não gosto de rap. Mas, depois de “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa…” eu não gostava. Obrigada, Emicida. A rua é nóiz.

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