Gilberto Gil faz novas versões das músicas de 'O Rei Leão' para o teatro

Fotos gentilmente cedidas pela T4F

O musical da Broadway “O Rei Leão” só estreia no Brasil em março de 2013, mas jornalistas tiveram a oportunidade de conferir um sneak peak da produção, ainda que sem cenário, mas com os artistas originais e um coral nacional em uma coletiva de imprensa organizada pela T4F, nesta terça-feira (2), no Teatro Abril, em São Paulo. Participaram da conversa Thomas Schumacher (presidente do grupo Disney Theatrical) e Julie Taymor (direção, figurino, co-design de máscaras/fantoches e letras adicionais) do espetáculo, além de Gilberto Gil – responsável por adaptar as letras do musical ao português. Os representantes da Broadway participam, ainda esta semana, da rodada final de seleção dos atores que protagonizarão a montagem, que passou por fases eliminatórias em três capitais. O elenco, muito possivelmente sem rostos conhecidos pelo público, deve ser anunciado em janeiro.

Na rodada de perguntas, o Aos Cubos questionou Gil como ele se sentia ao ter de dar uma nova cara às músicas já consagradas pelo filme da Disney e que acompanharam algumas gerações, e se ele não temia (com o perdão da palavra) arruinar as canções ouvidas nesses últimos 20 anos. “Toda tradução é arriscada e você está arriscado a perder sua alma enquanto músico. Não só a sua, como a da música. É um risco natural, mas vejo que é uma ponte cultural de uma língua para outra. As músicas do filme e do teatro já nasceram em conflito. Ter uma é ruim, duas é que é bom”, brincou. Thomas Schumacher também respondeu, enfatizando que quando o espetáculo ganha vida no teatro, eles querem uma “versão pura”, e ironicamente não são as crianças que têm rejeição quando reconhecem a música original do filme.

Quando Gil foi apresentado como o tradutor das músicas, Schumacher indagou: “Você é um artista consagrado, ganhador de Grammy. Por que se juntar e trabalhar conosco?”. “Acho que vocês merecem, ‘O Rei Leão’ merece. E houve uma pressão da família, dos netos em especial, e até de Flora (mulher), que adora o filme”, respondeu Gil, dizendo que em toda sua carreira, tentou fazer paisagens humanas, e disse gostar das variadas divisões da música. Por isso, conseguiu dar uma versão diferente a cada uma delas, sabendo que na versão em inglês cada uma foi concebida por um artista diferente. Ele ainda disse gostar das “canções de redenção”, basicamente eixo-central do espetáculo: “‘Rei Leão’ é isso. Uma história redentora, de um leão que tem a tarefa de levar um reino adiante”. O cantor comentou ainda que teve a oportunidade de conhecer Elton John, mas antes dele ser um mito: “Nos conhecemos nos bastidores de um show que ele abriria para o Sergio Mendes em 1969, na Europa. Ele não pode, e fui eu que fiz a apresentação. No entanto, ele apareceu por lá para cumprimentá-lo”.

Versão brasileira
“Circle of Life” (originalmente cantada por Elton John) e que também está no filme da Disney, quando abrasileirada ficou “Ciclo da Vida”, e não “Ciclo sem Fim” como a do filme. Na apresentação à imprensa, foram mostradas ainda “Shadowland”, que (em tradução livre) ficou “Onde a Jornada Termina”, além de “He Lives in You” que tem frases de “Ele Está em Você”, e “Can You Feel The Love Tonight”, cuja versão tem trecho cantado como “Dá para ver o Amor Aqui”. A trilha sonora, como existe em inglês, também tem chances de sair por aqui.

Montagem
Diferente do filme, o xamã Rafiki é interpretado por uma mulher, e Julie Taymor disse que foi proposital, pois a história não tem uma mulher de personalidade forte. “Se a mãe de Simba fosse essa mulher, ele não teria desertado do reino para seguir aquela jornada”, retrucou. Por isso, ela explicou que “não importa a história, e sim o jeito que ela é contada (na peça)”. A concepção dos figurinos veio do aspecto humano que os personagens têm: “Mufasa, por exemplo, representa o ciclo da vida, enquanto Scar, como o nome sugere, é assimétrico. Então, desde a roupa até a máscara e o jeito de andar têm essa característica. O legal disso tudo é que todo o processo de criação partiu de um pano branco, e a partir daí fomos buscar jeitos para tingir à mão os tecidos, produzir as máscaras”. O que eles chamam de “evento duplo” é a interação humano-animal. Então, em muitos momentos, o público vai se confundir: “eu devo prestar atenção em qual?”. Julie disse que você será conduzido pelos atores a entender qual deles é o mais importante naquela hora.

ASSISTA A UM TRECHO DE “CICLO DA VIDA”

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A conversa com a imprensa foi aberta pelo diretor-presidente da T4F, Fernando Luiz Altério (foto), por volta de 12h20, no hall do Teatro Abril. Altério aproveitou para lembrar que a partir de novembro se chamará Teatro Renault, devido a uma parceria anunciada pelas empresas no dia anterior. Ele aproveitou para enaltecer os números do espetáculo que já soma um público de 65 milhões pessoas em 19 montagens ao redor do mundo e anunciar que, depois de “O Rei Leão”, a marca  trará ao país os musicais “A Pequena Sereia” e “Mary Poppins” em uma parceria de cinco anos com o grupo Disney Theatrical. Coube a ele, ainda, anunciar os patrocinadores e vantagens de clientes do Bradesco. Eles terão acesso à venda antecipada entre os dias 20 de outubro e 28 de novembro, podendo parcelar as entradas em até 5 vezes nos cartões do banco, além de obter desconto de 20% nos ingressos que custam entre R$ 50 (balcão B) e R$ 280 (setor premium aos finais de semana).

VEJA O TRAJETO PERCORRIDO ATÉ A APRESENTAÇÃO

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2 thoughts on “Gilberto Gil faz novas versões das músicas de 'O Rei Leão' para o teatro

  1. A peça é incrível, sem dúvidas a broadway se superou, mas sinceramente, o Gilberto Gil estragou as músicas, é MUITO decepcionante ouvir todas de forma diferente, ainda mais a música Hakuna Matata, e ainda por cima a música que o Timão canta quando se veste de havaiana, que é muito engraçada, virou ele se vestir de carmen miranda e dançar tico tico no Fubá, realmente decepcionante nesse aspecto.

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