Categoria: festival | música | shows | Atualizado por: Tiago Gautier
31 jan 2011ENVIADO ESPECIAL A XANGRI-LÁ (RS)

A praia de Atlântida, em Xangri-lá (RS), a 120 km de Porto Alegre, fritou durante o M/E/C/A Festival, que rolou nesse fim de semana (dias 29 e 30 de janeiro), no litoral norte do Rio Grande do Sul. No sábado, o calor desumano não foi páreo para a energia do público hipster que dirigia-se em pequenos grupos para o clube Jimbaran, onde veria duas das mais representativas bandas do cenário indie internacional em terras brasileiras pela primeira vez: Vampire Weekend e Two Door Cinema Club.

O show de abertura do Wannabe Jalva agradou de cara o público que, ainda tímido, ia chegando e se aprochegando junto do palco, montado a alguns quilômetros do centro de Atlântida, no anexo do clube Jimbaran. Mesmo com um set list curto, os porto-alegrenses (e o paulista) da banda mostraram qualidade.
O sol ainda estava alto quando o Rosie and Me começou a tocar. Parte dos presentes permanecia esparramado no gramado no começo do show, mas não houve quem resistisse ao folk quase country do grupo. Quem esperava um show calminho, pra ficar agarradinho com o amor na pista, foi pego de surpresa e teve que se render ao cover de “Ready for the Floor”, do Hot Chip, tocado no banjo e cantado junto com a plateia.

Em seguida, foi a vez do Copacabana Club comandar a fritação, com seu electro-indie-pop ao pôr-do-sol. Caca V, a vocalista carismática e cheia de malemolência da banda, não deixou os fãs pararem de dançar.
Nos intervalos entre as bandas, a música não dava trégua. Se o indie rock é uma religião, seu profeta no Brasil é Lúcio Ribeiro, DJ e jornalista paulistano, que botou som nos intervalos e manteve todo mundo no pique com o que há de melhor lá fora. Fugir para os coolers fresquinhos do Club Stage, onde rolava um lounge eletrônico, não era uma opção para muitos que preferiram ficar o tempo todo na pista, aguentando como podiam a temperatura de mais de 30 graus sob a tenda para ver de perto as duas principais atrações da noite.

Two Door Cinema Club entrou no palco ovacionado por um público enlouquecido. Todo mundo gritou junto a letra de todas as músicas, e meninas histéricas tentavam chamar a atenção dos integrantes da banda o tempo todo (particularmente quando o baixista, Kevin, tirou a camisa e ficou só de regata, deixando à mostra as tatuagens no ombro e no peito). Alex não cumpriu sua promessa de ano novo e entrou no palco com um cigarro na boca.
Lá pelo meio do show, o vocalista brindou ao público com um discreto cálice de vinho tinto. Charme seria a palavra. Enquanto isso, a plateia pulava, berrava, urrava, jogava as mãos para cima e pedia mais. É difícil dizer quais foram as músicas que mais se destacaram no set list dos irlandeses porque todas causavam furor nos ouvintes, que sabiam as letras todas de cor. Vale citar “Undercover Martyn”, hit absoluto, e “I Can Talk”, música de despedida da banda. Decididamente o show da noite.

O Vampire Weekend fez uma entrada súbita no palco, pegando todo mundo de surpresa. A mais aguardada banda do festival fez um show muito bom, com músicas de seus dois álbuns, incluindo seu primeiro hit, “A-punk” (a cujo refrão o público respondia: “hey! hey! hey!”) e encerrou o show com “Walcott” (uma música sobre despedida, segundo o vocalista, Ezra Koenig).

Depois do show pop convulsionante do Two Doors, porém, houve quem sentiu a vibração esfriar um pouco. Além disso, os fãs sentiram falta de algumas canções no setlist, como “Bryn” e “Diplomat’s son”. Mas nada tirou o brilho de uma das melhores bandas internacionais desse início de década tocando pela primeira vez em solo brasileiro. Destaque para o tecladista e compositor Rostam Batmanglij interagindo com o público em “Horchata” e para o baterista Chris Tomson, que provocou confusão na pista jogando as baquetas aos fãs após a apresentação.
Por fim, havia sido divulgado mais cedo que o The Twelves não tocaria no Indie Stage, apenas no Club Stage, no meio do show do Two Door Cinema Club. Não se sabe por que, no final o duo fluminense subiu mesmo ao palco indie no horário previsto anteriormente, à meia-noite, para o alívio de muitos fãs, e comandou o encerramento da festa.

***
DEPOIMENTO: O espaço montado pela organização do festival no Jimbaran não era enorme, mas foi o suficiente. Muitos repararam que a lotação foi menor do que a esperada. A circulação estava tranquila, assim como o acesso aos bares e aos sanitários.
O calor foi um detalhe completamente esquecido durante os shows e, se a volta do festival foi um pouco conturbada pelo espaço ser longe do asfalto e não contar com táxis e ônibus para quem não estava de carro, os shows valeram o esforço. Afinal, um festival de música é sobre música, e o que rolou no palco do M/E/C/A foi de ótimo nível. Para 2012, ficamos todos na torcida para uma nova edição do festival.
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andré aloi
jornalista, vive de internet, tv-lover, viciado em 'lie to me', ama cultura pop e fã de Britney desde 1999. Futuro ganhador da mega-sena: torrará seus milhões em camisetas, livros e música.
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luis coutinho
mineiro se passando por paulistano, descobre bandas compulsivamente e troca a música do despertador todo dia. Verdadeira paixão é a engenharia, mas estuda audiovisual para agradar os pais.
paula carvalho
tenta são paulo, comunicação, ciências sociais, pesquisar música e internet, gostar de sertanejo e arrocha, achar sentido em tudo.
4 comentários
Lucas T.
janeiro 31st, 2011 at 10:30
Adorei o festival (como quase todos), mas foi inaceitável a falta de cerveja em diversas ocasiões.
mario arruda
janeiro 31st, 2011 at 12:57
eu tb fritei heauheau.
e faltou ceva mesmo
Rômulo Michaelsen
janeiro 31st, 2011 at 13:19
Mesmo faltando Ceva, Confiscando os Protetores Solares (?) e apenas 5 pessoas vendendo Tickets, torço muito por uma próxima edição do festival. Os shows foram ótimos. Torço por uma reestruturação e uma melhor organização, mas esta edição, certamente, vai servir de exemplo para as próximas. Parabéns a todos, mesmo assim!
Carol
janeiro 31st, 2011 at 18:47
Também torço para um MECA em 2012 sem faltar ceva e respeito do pessoal do JIMBARAN.