Em sua segunda edição, Popload Festival encontra caminho com line-up afiado

Fotos de Ana Laura Leardini exclusivas para o Aos Cubos. Confira a galeria completa de imagens no nosso tumblr e na nossa página do facebook.[hr]

Se em sua primeira edição realizada ano passado, o Popload Festival parecia apenas um aparato pra viabilizar a vinda do The XX, sua segunda edição se saiu muito bem e teve pelo menos três shows memoráveis num formato que o afasta de todos os outros festivais realizados atualmente no Brasil. Infelizmente o maior inimigo do evento realizado nos dias 28 e 29 de Novembro foi o próprio público, que conversava muito alto em todos os shows e massacrou os shows mais silenciosos.

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Quem mais sofreu nessa história foi a americana Chan Marshall, a minha a nossa a sua Cat Power, que além de tocar na sexta antes do Tame Impala, foi escalada pra substituir o Beirut no sábado depois que a banda norte-americana cancelou a vinda pra cá. Assistir Cat Power ao vivo é sempre um desafio, pois se há imensa beleza na sua fragilidade há também um desespero iminente que você nunca sabe quando pode chegar a um breakdown definitivo. Sozinha na guitarra e no piano, Chan fez dois setlists pra fazer qualquer die-hard fan da americana chorar: várias músicas que não apareciam há anos em seus shows e praticamente nenhuma repetição de um show para o outro. Lamentavelmente, o show de sexta terminou quando um imbecil usando camiseta preta e óculos, que já havia causado confusão no começo do show empurrando as pessoas perto da grande, gritou um “Fuck you” que destruiu o bom humor que Chan havia apresentando apesar dos pesares. No sábado, visivelmente debilitada, Chan gastou seus últimos minutos de show reclamando que não conseguia mais fazer aquilo e fazendo uma música de improviso sobre as pessoas que via na plateia. “Hey cara que acabou de fazer tatuagem, espero que ela não se apague”. Pois é.

E uma grande confissão quase passa despercebida: desolada no piano, Chan admitiu que “I don’t blame you” foi feita para Kurt Cobain, coisa que nunca havia confirmado, como ela mesma disse.

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No sábado quem veio antes do headliner foi o The Lumineers, se apresentando pela primeira vez no Brasil. A banda norte-americana, que poderia passar como apenas um integrante genérico da nova geração do folk, mostrou ser mais que isso e foi ganhando força até deixar o público em estado de catarse com suas canções simples mas muito eficientes. Inúmeros coros e até uma incursão no meio da plateia do vocalista Wesley Schultz e do baterista Jeremiah Fraites onde tocaram “Darlene” e “Flapper Girl” ganharam o jogo, e o papel de maior sing along da noite nem veio com o mega hit “Ho Hey” e sim com “Stubborn Love” e seu refrão repetido mil vezes “Keep your head up, my love”.

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Quem dividiu com o The Lumineers o posto de “grandes shows” do festival foram os headliners Tame Impala e Metronomy. Os australianos do Tame Impala não conseguiram repetir as proporções épicas do show que haviam feito dois dias antes no Circo Voador, mas aparentemente é covardia comparar qualquer show no mundo com uma apresentação feita por lá. A fórmula foi a mesma mas duas diferenças básicas afastaram muito os dois shows: o público menos próximo e as imagens de fundo exibidas num telão de LED e não projetadas em cima da banda como no Rio, transformaram a banda em 5 silhuetas sombrias e fizeram com que o show em São Paulo se tornasse uma experiência mais sombria ao contrário da loucura lisérgica que foi o show no Rio.

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O Metronomy ao vivo parece a personificação do famoso coelhinho da propaganda de pilha. Os cinco integrantes da banda parecem disputar ininterruptamente qual deles é mais fofo e carismático e suas dancinhas e trejeitos evocam personagens de desenho animado. Com um repertório grande o suficiente pra encher uma hora e meia de hits, a banda britânica fez um show cuja primeira meia hora foi quase inacreditável de tão elétrica e eficiente. O mais surpreendente foi ver que o público cantava todas as músicas do começo ao fim, mesmo as lançadas este ano no disco “Love Letters”. Foi bonito ver o público (e estar no meio dele) dançando músicas como “The Look” e “The Bay” como se não houvesse amanhã, tarefa que a própria banda cumpriu muito bem.

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Como festival, o ambiente bem dividido, diversidade de comida fresca e caixas circulando pelo público e se oferecendo para vender fichas foram o que mais agradou e chamou atenção. Fica só a dúvida se é o formato do Audio como casa de shows que amplifica a conversa das pessoas ou se estamos realmente lidando com um público cada vez mais mal educado, que sai de casa pagando um preço alto nos ingressos pra ficar conversando durante o show e perto do palco, ao invés de se retirar e fazer isso em mil espaços mais adequados, dentro do próprio festival.

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