Categoria: música | review | shows | Atualizado por: Luis Coutinho
26 abr 2012O The Vaccines não poderia ter escolhido escudo melhor do que batizar seu disco de estreia com o nome “What did you expect from the Vaccines?”. Fazendo isso respaldam a atitude dos que construíram e defenderam o hype que elevou a banda ao status de Salvação do Rock de 2011 (como o Arctic Monkeys foi eleito em 2006) enquanto tentam mostrar aos que acreditam que a banda não conseguirá mais do que um sucesso passageiro uma atitude de “Não estamos nem aí para esse hype”. No show que aconteceu no Cine Joia na última quarta (18) a banda também deu razão a esses dois times, dependia do que você como público esperava levar em conta da apresentação certeira, mas certinha demais que a banda mostrou.
Talvez o sucesso do The Vaccines pode ser explicado por resgatarem melodias simples e imediatismo para o rock “moderninho”: “Norgaard” e “Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)” por exemplo, dois singles do disco de estreia, tem um minuto e meio. Mas nada justifica declarações de veículos importantes como “O The Vaccines está pronto para revolucionar o rock de guitarra”. Não, definitivamente não. Tudo que o The Vaccines apresenta em estúdio já foi ouvido em algum momento, e às vezes é perigosamente não original. Ao vivo então, quando o The Vaccines não tem como bagagem a ótima produção que deu ao disco um irresistível tom nostálgico, a banda escorrega várias vezes para um som genérico demais, quase soando como uma banda de hardcore (sim, hardcore) qualquer.
As comparações com o The Strokes se mostraram completamente infundadas pós-show, já que o climão e a voz soturna de Justin Young em músicas como “Post Break-Up Sex” e “Wetsuit” lembram muito mais imediatamente o Interpol, por exemplo. Sem falar que Justin não tem 20% do carisma de um Julian Casablancas, um Paul Banks, ou Jonathan Pierce, vocalista do The Drums, para darmos um exemplo da mesma “geração” que o The Vaccines. Também falta arroz e feijão pro The Vaccines no campo de atitude no palco: com tudo sempre certinho e bonitinho demais, parece até que a banda quer criar uma imagem inofensiva para manter o grande público que alcançaram (o vídeo de “Post Break-Up Sex” tem quase 3 milhões e meio de views no youtube).
Também ajudou a reforçar essa imagem de banda “certinha” a rápida conversa com os integrantes no backstage quando, após eu apenas comentar sobre o Festival Planeta Terra do ano passado – festival para o qual a banda estava escalada, mas que trocou por uma muito mais promissora turnê norte-americana com o Arctic Monkeys – fui cercado por pedidos de desculpa e declarações de amor para o Brasil que soaram ensaiadas demais. O título do disco é só mais uma evidência que o The Vaccines quer se mostrar despretensioso, mas o peso do sucesso aparentemente deixa a banda receosa sobre qual caminho seguir, ou sobre como lidar com o que público e imprensa esperam deles. Poderiam ter sido apenas uma ótima banda mediana mas agora correm o risco de virarem uma banda grande ruim.
Felizmente (ou não) o público que esgotou os ingressos do Cine Joia só queria gritar junto os refrões facílimos de músicas como “If you Wanna” (talvez o melhor momento do show) e “Blow it Up”. Essa última tem uma melodia tão inacreditavelmente manjada que parece o décimo remake de algum hit antigo do gênero, mas a quantidade de pessoas cantarolando “Blow it Up” na saída do show, mesmo tendo sido a primeira música da apresentação, comprova que às vezes vale mais uma ótima cópia do que uma ideia original.
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andré aloi
jornalista, vive de internet, tv-lover, viciado em 'lie to me', ama cultura pop e fã de Britney desde 1999. Futuro ganhador da mega-sena: torrará seus milhões em camisetas, livros e música.
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luis coutinho
mineiro se passando por paulistano, descobre bandas compulsivamente e troca a música do despertador todo dia. Verdadeira paixão é a engenharia, mas estuda audiovisual para agradar os pais.
1 comentário
Decoração para Casamento
maio 3rd, 2012 at 22:40
Pelo comentário do pessoal que foi, parece que realmente não foi nada muito fora do comum mesmo. Esperava mais, quem sabe na próxima.