Bon Iver lança segundo disco, enigmático e iluminado

Categoria: música | opinião | review | Atualizado por:

8 ago 2011

Depois de virar queridinho da crítica e do público alternativo com o disco For Emma, Forever Ago de 2008, o projeto musical Bon Iver, criado pelo norte-americano Justin Vernon, foi cercado por expectativa sobre como seria o segundo disco. O medo se justificava porque o primeiro foi gravado numa situação única: no meio de um período de desilusão e problemas de saúde, Justin se isolou completamente por três meses em uma casa no meio do nada, e foi nesse isolamento e com equipamento precário que o álbum de estreia foi criado e gravado.

O segundo disco, auto-intitulado (Bon Iver é uma derivação do francês para “Bom Inverno”: bon hiver) é mais iluminado que o agonizante disco de estreia, chegando até a ter alguns momentos quase ensolarados. Mas o fruto de dias mais felizes e de muitos integrantes na banda amplificou seu som sem deixá-lo cheio ou claro demais. Pelo contrário, uma das coisas que mais chama a atenção no disco é como ele é mais intrigante que o primeiro, e como as camadas de som se revezam e somem sem nunca se “atropelar” – os momentos de silêncio são sublimes.

Outra coisa que chama a atenção é como o estilo predominantemente folk do primeiro disco deu lugar a um som de estilo indefinível: os elementos de folk e country continuam lá, mas não podem sequer ser considerados a base de tudo. Pedaços de pop dos anos 80, psicodelia e indie rock propriamente dito brotam do chão como fantasmas, flutuando e sumindo, contribuindo para o sentimento enigmático do disco.

O disco fica mais enigmático ainda quando você tenta entender as letras e fica sabendo que, segundo Justin Vernon, cada uma das 10 músicas representa um “lugar mental” e o nome de algumas delas são lugares que não existem.  Mas não se deixe desanimar pelo conceito complexo, a música em si é acessível e convidativa o suficiente pra você ouvir várias vezes sem precisar necessariamente saber que a incrível Perth, que abre o disco, é uma cidade da Austrália, o primeiro single Calgary, que só entrega seu refrão extraordinário no último minuto, é uma cidade do Canadá, e que não existe nenhuma cidade chamada Michicant como sugere a belíssima música com esse nome.

Com este novo trabalho, Bon Iver se firma como um dos nomes mais interessantes e promissores da música alternativa. Dispensando todos os clichês do indie folk, sem se entregar a um mundo de pretensões artísticas equivocadas e colocando de lado a monotonia em potencial que cobria o primeiro disco, Justin Vernon prova que é possível fazer um disco de melodias belas e que ficam na cabeça por dias sem apelar pro caminho fácil do pop/rock descartável. O fato de o disco ter ficado em 2º lugar no top 200 da Billboard em sua semana de lançamento só prova que há todo o espaço do mundo para música assim. Nossos ouvidos agradecem.

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andré aloi

jornalista, vive de internet, tv-lover, viciado em 'lie to me', ama cultura pop e fã de Britney desde 1999. Futuro ganhador da mega-sena: torrará seus milhões em camisetas, livros e música.


luis coutinho

mineiro se passando por paulistano, descobre bandas compulsivamente e troca a música do despertador todo dia. Verdadeira paixão é a engenharia, mas estuda audiovisual para agradar os pais.


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