Categoria: música | Atualizado por: André Aloi
13 abr 2012Fotos gentilmente cedidas por Leo Pinheiro

Há exatamente um ano, numa quarta-feira (13 de abril de 2011), o U2 fazia seu último show em São Paulo. E era para ser um dia comum na minha vida – eu esperava ver a banda de Bono ao vivo desde 1998 – e não foi. Fiquei cara a cara com o vocalista irlandês e ainda ofereci uma coxinha para ele. Não acredita? Eu também não se me contassem. Mas foi uma brincadeira para uma pauta, que acabou não rolando… Tinha lido que ele tinha ido ao Bar Número na madrugada de domingo (9) para segunda-feira (11) depois do segundo show no Morumbi, onde teria comido coxinha e tostex acompanhado de vodca, uísque e vinho.

Era uma quarta-feira comum. Dia quente em Sampa, sem chuva. Na época, eu trabalhava em um megaportal, em São Paulo. E quando cheguei na redação, me mandaram “fazer porta” no hotel que a banda estava hospedada: o Hyatt, na Berrini – bem próximo ao prédio onde trabalhava, o WTC. Eu estava como apoio na cobertura dos shows. Fiz textos sobre a vinda deles e entrevistei alguns fãs. Entre eles, pessoas que atravessaram o país para encontrar com os ídolos na capital paulista até gente que viu o primeiro show deles no País e faria de um tudo para acompanhar a apresentação da “360º Tour”, mas estava fora do país.
Eu cheguei por volta das 14h à redação do megaportal, e segui para a frente do Hyatt com o fotógrafo Léo Pinheiro. Iríamos acompanhar a movimentação e fazer matérias do que a gente encontrasse por lá. E foi bem bacana porque não imaginava o quanto de histórias a porta de um hotel nos guarda. Até porque nunca fiquei de campana à espera de um artista. A nao ser essa vez, que já era o segundo dia à espera do U2. Colegas que acompanharam a passagem deles pela porta do hotel disseram que era fácil dar de cara com os artistas, pois eles atendiam os fãs antes de seguir para o Estádio do Morumbi. Mas nunca acreditei, de fato, que trocaria umas palavras com Bono e The Edge.
Como já tinha feito todas as matérias que tinha pensado em fazer. Isso inclui o anúncio de um pedido de casamento [foto ao lado]. (Essa foi legal fazer porque tive noção do alcance da internet. Logo que a matéria foi publicada, familiares do casal ligaram para eles falando que tinham visto o texto…) Eles só iam contar a novidade quando voltassem à cidade natal [risos]. Eu antecipei! E ainda teve a história de um “plantonista” que tatuou os braços com autógrafos de Bono e Edge.
Feito isso, falei para o fotógrafo que faltava esperar os caras aparecerem e fazer a pauta como nos outros dias. Se eles aparecessem, teríamos algo novo, senão, daríamos que eles ignoraram os fãs. Aquela coisa chamada jornalismo. Ele falou: “por que você não faz diferente?”. Pensei: “No que dá para inovar?”. Comentei que o Bono tinha experimentado a coxinha e ele falou: “arranje uma coxinha e entregue a ele”. Pensei: “Tá louco?”. Minutos depois eu estava na cantina da loja de decoração Etna – próximo ao hotel – comprando uma água (para mim) e uma coxinha (para o Bono). Tudo deu R$5,90.
Por volta de 17h55, eis que uma movimentação começa a surgir na porta do hotel. (Já tinha conversado com o chefe da segurança que me garantiu que eles sairiam para dar uma atenção aos fãs). Dessa vez era The Edge. Calmo, foi cumprimentando e autografando CDs, DVDs, camisetas, livros etc. As pessoas reagiram bem à chegada dele porque disseram que se houvesse gritaria, na mesma hora, a segurança estava autorizada a interromper a sessão gratuita e improvisada de “Meet & Greet” com os membros do U2. Enquanto os fãs ficaram sem reação, consegui me aproximar dele e perguntar o que estava achando dos shows brasileiros e do público. O guitarrista respondeu com um singelo: “gostei muito”.

Minutos depois, apesar de já estar escuro, lá vinha ele: Bono ex-Vox e seu inseparável óculos de sol. Ele caminhou de um lado a outro, conversou com fãs, e consegui trocar algumas palavras com ele. Poucas, confesso. Mas mostrei a ele a coxinha, e disse: “Bono, prove uma das especialidades do Brasil. Chama-se coxinha”. Ele: “O que é isso, é uma fruta?”. Eu e alguns fãs explicamos que era uma iguaria da culinária brasileira feita com frango e frita. E ele desdenhou: “Quem sabe uma outra hora?”. Talvez ele não tenha reconhecido… Ou apenas não tenha provado mesmo lá no Bar Número. Vai saber?
O texto não entrou porque Bono não aceitou a coxinha (uma decisão dos editores). O que sei é que a coxinha foi devorada por um fã que estava lá na porta do hotel por causa do MUSE, que acabou virando meu amigo depois do episódio. No dia seguinte, a foto estava na Folha. E ganhou referência no “Popload”, do Lucio Ribeiro: “A fama do Bono com as coxinhas ficou tamanha nos últimos dias que um fã esperto foi para a porta do hotel na tarde de ontem e, ao invés de pedir um autógrafo ou uma foto com o ídolo, resolveu levar de presente uma… coxinha”.

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andré aloi
jornalista, vive de internet, tv-lover, viciado em 'lie to me', ama cultura pop e fã de Britney desde 1999. Futuro ganhador da mega-sena: torrará seus milhões em camisetas, livros e música.
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luis coutinho
mineiro se passando por paulistano, descobre bandas compulsivamente e troca a música do despertador todo dia. Verdadeira paixão é a engenharia, mas estuda audiovisual para agradar os pais.